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28/nov/2009 Novo blog adicionado à minha lista, Militia Jesu Christi, visitem! ;) 27/nov/2009 Adicionei um novo link nos 'blogs que leio'. É o blog do Theophilus, 'Spem in Alium', que tem posts muito interessantes. Não deixem de visitá-lo. ;) 25/nov/2009 Coloquei o link para meu perfil no Orkut no widget 'Siga-me'. Caso queiram conversar sobre o blog ou qualquer outra coisa, podem add. ;) 18/nov/09 Pessoal, o Renan está com um novo site, e com a ajuda de amigos, lançou a primeira edição da Revista Filosofia Concreta. Não deixem de ler: http://filosofiaconcreta.mercaba.com.br/A Igreja Católica: Construtora da Civilização Ocidental 4 ep (O Caso Galileu)
O caso Galileu… ele realmente prova que a Igreja era uma inimiga da ciência? O que realmente aconteceu no incidente de Galileu? Vamos examiná-lo hoje em “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.
O usuário do You Tube, Kandungus editou e legendou mais um episódio da série da EWTN apresentada pelo Ph.D. Thomas E. Woods, membro sênior do Ludwig von Mises Institute e autor de livros que incluem dois bestsellers do New York Times (e LRC) “Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse” e “The Politically Incorrect Guide to American History”. Seu livro How the Catholic Church Built Western Civilization foi lançado em português pela Editora Quadrante sob o título Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental.
Assista os vídeos anteriores aqui e aqui e mais aqui.
Leia também:
A condenação de Galileu (por Robson Nascimento)
Algumas coisas mais sobre Galileu (por Emerson Chenta)
Afinal, o que aconteceu com Galileu Galilei? (por Marcio Campos)
O que defendia Galileu? (por Rogério Sassonia)
Cosmologia Medieval e Aristóteles (por Luiz F. Alves)

O viajante sobre o mar de névoa, de Caspar David Friedrich, 1818. Que bela imagem para uma alegoria! Talvez nenhuma outra imagem poderia ser mais perfeita! De um lado o Luiz Fernando, este jovem solitário e frágil, que sabe que o futuro será tão esvanescente e enigmático quanto a majestosa névoa que o viajante contempla, se ele não manter a prudência, se em algum momento despir-se de sua alma e esquecer-se da reflexão constante, deixando que o mais insólito lhe surpreenda por ser-lhe inesperado, e que por momentos vários, abandone as suas efêmeras conclusões de jovem imaturo e torne-as belas lembranças atrás de si. A ambiguidade desta imagem é tamanha que, daqui a alguns anos eu posso usá-la para significar a contemplação de alguém que transcendeu determinada situação e hoje pode observá-la do topo da montanha mais alta, depois de um longo e hercúleo percurso. Ou ela representaria uma transição? Preciso continuar a subir, a elevar-me, a elevar-me...
Hoje é um dia interessante, estou entrando na obscuridade da vida adulta, completando dezoito anos. Não que a data em si signifique algo espetacular (não gosto de festas nem de dias festivos, sejam quais forem) ou represente alguma ruptura com minha vida pregressa (quer dizer, certamente representa ainda que eu não tenha muita consciência disto; um amigo até disse-me que já posso ser preso…). O que me parece certo é que o sol continuará a nascer como sempre pelos próximos dias. Sou mais adepto das permanências, e dificilmente noto uma mudança quando ela ocorre, vou levar algum tempo para entender este novo momento. Não estou muito assustado comparado à relutância que tive em aceitar meus dezessete anos (dias terríveis…). O sentimento que me acompanha é o de felicidade, inclusive pelas palavras amigas que recebi e evidentemente agradeço a todos (eu não seria insensível a este detalhe).
O tempo hoje está chuvoso, gosto disto. Esse clima me convida a recolher-me ainda mais satisfeito em meu quarto, por saber que, se por um lado é o meu lugar preferido no mundo todo, por outro, com o tempo assim não há outras opções mais interessantes mesmo, melhor é fechar-se, embora este dia me lembre que as responsabilidades não são mais as mesmas, convidando-me a uma abertura cada vez maior. Quero elevar-me, sem dúvida, mas sem esquecer do aviso daquele autor que escrevera que quem deseja isto continuamente deve esperar pela vertigem e quem que cai diz: ‘levante-me’. Quem levarei comigo?
Neste dia, o mais ambíguo de meus amigos é o silêncio; principalmente o do mundo, deste que me olha indiferente, com ares de desafio, como se eu tivesse que ganhá-lo. Não sei o que lhe responder, nem sei se me pergunta algo. As perguntas e respostas têm ficado cada vez mais intrincadas e tudo que sei me parece insuficiente. Eu posso querer parar, tenho o direito de ter medo, e até vivificar as mais insólitas nostalgias, e acreditar que os tempos antigos possuem a mesma inspiração e significado. O eterno retorno é uma idéia atraente, mas a singularidade da vida humana é maior, e é no fluir que eu devo estar atento. Muitas histórias ainda me esperam e a vida segue, nem boa nem má…
“…algumas coisas serão atiradas em ti, algumas coisas acontecerão. Não é coisa delicada viver. A uma longa viagem vieste, e é necessário que escorregues e que tropeces e que caias e que te canses e que exclames: “Ó Morte!”, isto é, é necessário que mintas. Num lugar deixarás para trás um companheiro; noutro sepultarás um; noutro ainda terás medo; deste modo, por entre ferimentos, é necessário atravessar esta difícil viagem. Deseja alguém morrer? Que seu espírito esteja preparado contra todas as coisas; que saiba por si mesmo que chegou onde estronda o trovão.” (Carta de Sêneca a Lucílio, CVII)
Religiosidade Medieval (adendo): considerações sobre as postagens recentes (e ulteriores)
Os leitores deste blog provavelmente notaram que estou publicando textos sobre a religiosidade medieval. No entanto, cabe aqui algumas considerações sobre este estudo. Se trata do quinto capítulo do livro A Espiritualidade da Idade Média Ocidental, séc. VIII ao XIII (La Spiritualité du Moyen Âge Occidental – VIII-XIII Siècle) do medievalista André Vauchez. Há sim, algumas limitações em relação a esse livro, precisamente porque ele abrange somente alguns aspectos religiosos de um período específico. E mais ainda, concedendo aos leigos e à religiosidade popular um amplo espaço, na realidade, pode-se dizer que um espaço central na obra. Os motivos de tais preferências são explicados pelo autor, como o de que seria difícil definir quando há a passagem da Antiguidade à Idade Média e, que a mudança de uma a outra forma de religiosidade na transição destes períodos teria sido tardia. Poderia destacar que ele afirma também que,
para que se possa falar de vida espiritual, é necessário que exista previamente não só uma adesão formal a um corpo de doutrinas, mas também uma impregnação dos indivíduos e das sociedades pelas crenças religiosas que professam, o que só se pode efetuar com o tempo. Ora, na maior parte dos campos do Ocidente, excluindo-se a área mediterrânica, a conversão das populações à fé cristã só ficou concluída cerca dos anos de Setecentos. Foi ainda mais tardia em certas regiões da Germânia, onde o paganismo sobreviveu até à época de Carlos Magno. Na globalidade, só no século VIII o cristianismo se transformou na religião do Ocidente. (VAUCHEZ, André. A espiritualidade na Idade Média Ocidental; Séc. VIII a XIII. Trad.: Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995. pp. 11-12)
Há, certamente, idéias que precisariam de uma reflexão maior e outras passíveis de questionamento. O autor quis oferecer meios de entender a passagem de uma piedade mais ritualística do período carolíngio à outra mais mística da baixa Idade Média. É evidente que saltar a Patrística é um motivo bem contundente para que se leia este livro muito mais como um estudo introdutório do que uma obra completa sobre o medievo, porém, ele possui boas definições sobre a época que delimitou para estudo.
André Vauchez afirma, por exemplo, que até em uma época bem recente, a atenção dos historiadores incidiu demasiado sobre o papel e a influência dos clérigos, contudo, ele quer realçar a originalidade da espiritualidade popular, não para minimizar o papel dos primeiros, mas por questão de equidade e objetividade histórica. E em resposta à pergunta sobre se a religião popular não passa de um conjunto incoerente de práticas e devoções, algumas estranhas ao próprio cristianismo, ele responde:
Não é isso pensamos, e, pelo contrário, consideramos que entre os analfabetos, que constituíram a maioria dos fiéis entre o século VIII e o século XIII, houve quem tivesse tido uma concepção de Deus e mantido uma relação com o divino que bem merece o nome de espiritualidade. Assim, procuraremos colocar em evidência o impacto que a mensagem cristã pôde exercer sobre a maioria, de modo a fazer descer a história da espiritualidade dos altos cumes, nos quais ela tão longamente se instalou. (VAUCHEZ, André. A espiritualidade na Idade Média Ocidental; Séc. VIII a XIII. Trad.: Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995. p. 13)
Ps: resposta à este comentário.
Vitral
O Homem Medieval à Procura de Deus
Formas e conteúdo da experiência religiosa
André Vauchez
2. Arte e Espiritualidade
A Igreja tentava elevar um povo ainda rude e mal instruído além dos requisitos puramente materiais, fazendo-o pressentir a existência de uma realidade superior. Para isso, não hesitou em utilizar os recursos da arte, ao mesmo tempo expressão de uma vida espiritual intensa – a dos clérigos – e meio para os leigos vislumbrar a grandeza e a infinita riqueza do mistério divino. Não estudaremos aqui 0 difícil problema da formação, ou melhor, da impregnação religiosa, que os fiéis podiam receber por meio das séries de afrescos, do canto litúrgico ou da estatuária, que se multiplicaram, a partir do fim do século XI, nos pórticos das abadias e das catedrais.
O Homem Medieval à Procura de Deus
Formas e conteúdo da experiência religiosa
André Vauchez
1. Peregrinação, culto das relíquias e milagres
Na Idade Média, ainda mais do que em outros períodos, o desejo de levar uma vida espiritual intensa era indissociável da adoção de uma forma de vida religiosa, geralmente definida por uma regra que tinha um valor santificante por si mesma. Isso não exclui a procura de um contato mais imediato e mais íntimo com Deus. Seria necessário falarmos aqui da oração. Digamos claramente que, sem falar da prece litúrgica dos monges, a oração é mal conhecida. As canções de gesta conservaram alguns belos textos de orações, mas trata-se de elaborações literárias ou da expressão usual de uma piedade pessoal? Sem dúvida, todos sabiam o Pater e a primeira parte da Ave Maria. Os salmos parecem ter sido preferidos pelos clérigos e pelos leigos cultos que, muito cedo, os traduziram em língua vulgar. Entretanto, não sabemos com que frequência e em que espírito eram recitados.
Já que não podemos apreender na prece a relação do homem com Deus, devemos tentar fazê-lo através de outras formas de piedade e de devoção. Incapaz de pensar o abstrato e, muitas vezes, de concebê-lo, o cristão do século XII vivia a sua experiência religiosa principalmente no nível dos gestos e dos ritos, que o colocavam em contato com o mundo sobrenatural.




